CreativeLab Assinado por Tenente

Memória descritiva
A ideia imediata que o convite endereçado por José António Tenente, para com ele desenvolvermos o conceito expositivo do CreativeLab Assinado por Tenente, nos suscitou, foi a de pensarmos o tecido como elemento de união entre dois mundos que nos pareciam, pelo menos na aparência, tão próximos e simultaneamente tão distantes: o mundo da Moda e o mundo da Arquitectura.

Assim, usando como ponto de partida e premissa inicial esta (aparente) contradição, procurámos definir, desde logo, o conceito de espaço expositivo a alcançar, explorando, para a sua materialização, o tecido, entendido simultaneamente como matéria leve, volátil, mas também como elemento construtivo, denso, capaz de criar espaço arquitectónico.

Este conceito ganhou forma concreta no desenho de vários plissados estruturados em tecido voile de cor preto, capazes de articular e dar sentido a longos planos opacos, também eles auto-portantes, pensados como fundos de eleição para fazer ressaltar as peças de vestuário a expor.

Da alternância entre paredes lineares e plissados curvos, entre elementos opacos e transparentes, resultou uma longa e enleante peça de tecido negro que emprestou à sala rude, em tosco, um ambiente de elegância e requinte – o universo, afinal, de José António Tenente. Este contraste intensificou o dramatismo de cada um dos quatro núcleos expositivos em que se estrutura a exposição e acentuou a sinuosidade que se pretendia para o seu percurso, característica que reflecte, de algum modo, o próprio processo criativo, feito de reflexão e amadurecimento, de José António Tenente.

Levado como apontamento para a exposição permanente do MUDE, esse conceito inicial acabou por ganhar forma em cinco chavetas, desenhadas com o objectivo de sublinhar as peças escolhidas pelo designer de moda sem, no entanto, se sobreporem à exposição permanente do museu.

A nossa percepção inicial, imediata, fora a de que o CreativeLab Assinado por Tenente teria de traduzir uma atmosfera que recreasse, tanto quanto possível, o universo de José António Tenente: a alternância entre opacos e transparentes, num romântico alinhavar do espaço; os delicados sussurros e as exuberantes evidências emergentes de um diálogo entre as diferentes peças expostas; o adivinhar e o descobrir de silhuetas de mistério que nos vão interpelando ao longo do percurso; o ambiente de profunda densidade e serena elegância criado pelo voile preto, são o resultado final que permite visualizar com intensidade acrescida aquele tão fascinante quanto sedutor universo.