Casa Wallpaper*

Memória descritiva
O enunciado proposto para este projecto era muito sintético: referia-se apenas a uma casa de férias em contexto rural, sem terreno definido, e cuja implantação fosse até 20x20m.
Em termos de programa, pretendia-se uma casa com um grau de flexibilidade que permitisse quer a convivência de duas famílias, quer, quando assim se entendesse, também a sua transformação como refúgio para uma só pessoa.

O nosso pensamento orientou-se, desde início, na procura do elemento que pudesse assumir-se como fundador do desenho da casa. Com alguma naturalidade, a água apareceu-nos como esse elemento conceptual, por estar tanto na génese do conceito de casa rural quanto pela importância do seu uso na vivência quotidiana da habitação quanto, ainda, pela sua importância no aproveitamento agrícola dos terrenos circundantes.

Desenvolvemos, deste modo, uma casa-cisterna, em que a água fica enaltecida através do conceito do seu armazenamento a partir de uma superfície encastrada no terreno sobre a qual pousámos três volumes separados: o da habitação propriamente dita e os dos dois quartos/alcovas. A cobertura será o elemento que permitirá a recolha e condução da água para um reservatório que poderá ser utilizado como piscina, constituindo-se como o nível mínimo de armazenamento de água.

A partir deste nível, em alturas de grande precipitação de água da chuva, a água transbordará do reservatório e subirá até à cota máxima de armazenamento de água que corresponde aos limites da implantação da casa.

Esta água, assim armazenada, para além do aproveitamento para uso diário da casa e para a rega do terreno, terá um papel fundamental na caracterização do espaço da habitação. Permitirá isolar o seu volume aquando do armazenamento máximo de água, tornando-a num refúgio para uma só pessoa; quando o nível de água for mais baixo, permitirá a gradual apropriação do espaço exterior e a ligação da habitação às alcovas, transformando-a numa casa para duas ou três famílias em férias.

Desenhámos uma ideia - a de habitar uma cisterna, propondo uma casa que recolhendo, conduzindo e armazenando água tirasse partido da variação dos seus limites, como se da margem de um rio se tratasse, criando espaços apropriáveis e belos, passíveis de serem abrigo e propiciarem a contemplação.